O consumidor que entra em um consórcio está assumindo um compromisso que pode durar anos.
Por isso, escolher uma administradora apenas pela parcela ou pela promessa de contemplação rápida pode ser um erro caro.
Um indicador divulgado pelo Banco Central do Brasil ajuda a colocar essa decisão em perspectiva: O Ranking de Reclamações das Administradoras de Consórcios.
No levantamento referente ao primeiro semestre de 2026, algumas administradoras apresentaram índices de reclamações muito superiores aos de outras instituições do setor.
A liderança ficou com a Evoy Administradora de Consórcio, seguida por EuTbem, Reserva, Promove e Alpha.
Mas existe uma informação fundamental antes de interpretar a lista:
Estar no topo do ranking não significa, sozinho, que uma administradora seja a “pior” do mercado.
O Banco Central utiliza um índice proporcional ao número de consorciados, e não simplesmente a quantidade bruta de reclamações.
E é justamente aí que a notícia fica mais interessante.
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Segundo os dados oficiais do Banco Central para janeiro a junho de 2026, o ranking ficou assim:

O ranking oficial considera as reclamações reguladas procedentes em relação à quantidade de consorciados ativos.
O cálculo é feito dividindo o número de reclamações pelo total de consorciados e multiplicando o resultado por 1 milhão.
Portanto, não basta olhar para a quantidade absoluta de reclamações.
Uma administradora com centenas de milhares de clientes pode registrar mais reclamações em números absolutos e, ainda assim, apresentar um índice proporcional menor.
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Evoy lidera ranking de reclamações do Banco Central
A Evoy aparece na primeira posição do levantamento, com índice de 9.281,10.
A instituição tinha 6.357 consorciados considerados no ranking e registrou 59 reclamações reguladas procedentes no período. Ao considerar todas as categorias de reclamações apresentadas na base do Banco Central, foram 78 registros.
O número chama atenção principalmente quando comparado ao ranking anterior.
No segundo semestre de 2025, a Evoy já havia aparecido em primeiro lugar, mas com índice de 2.701,94.
Ou seja, houve uma diferença expressiva entre os dois períodos.
Isso não permite concluir, por si só, qual foi a causa da mudança. Mas mostra por que acompanhar o ranking periodicamente é importante para quem pretende contratar ou manter uma cota de consórcio.
EuTbem aparece em segundo lugar
Na segunda posição está a EuTbem Administradora de Consórcio, com índice de 5.549,68.
A empresa contabilizou 21 reclamações reguladas procedentes e tinha 3.784 consorciados considerados na base do ranking.
O índice proporcional ajuda a explicar por que uma empresa com um número absoluto de reclamações menor pode aparecer acima de outra administradora muito maior.
Esse é um dos pontos que o consumidor precisa entender antes de transformar o ranking em uma simples lista de “quem recebeu mais reclamações”.
Quantidade de reclamações não é a mesma coisa que índice de reclamações
Esse é provavelmente o ponto mais importante da análise.
Veja um exemplo do próprio ranking.
A Porto Seguro Administradora de Consórcios aparece na 13ª posição, com 262 reclamações reguladas procedentes e mais de 559 mil consorciados considerados na base.
Já a Evoy teve 59 reclamações procedentes, mas com uma base de apenas 6.357 consorciados.
Por isso, a Evoy apresenta um índice muito maior.
A matemática mostra uma diferença importante:
59 reclamações entre 6.357 consorciados têm um peso proporcional muito maior do que 262 reclamações entre mais de 559 mil clientes.
É exatamente por isso que o Banco Central utiliza o índice.
E as grandes administradoras?
O ranking também permite observar a posição de algumas das administradoras mais conhecidas do mercado.
No primeiro semestre de 2026:
- Porto Seguro: 13º, índice de 468,21;
- CNP Consórcio: 15º, índice de 409,80;
- Consórcio Nacional Volkswagen: 17º, índice de 368,23;
- Embracon: 22º, índice de 276,30;
- Santander: 24º, índice de 233,03;
- Itaú: 26º, índice de 174,69;
- Bamaq: 27º, índice de 170,45;
- Bradesco: 28º, índice de 144,91;
- Honda: 37º, índice de 50,47;
- Sicredi: 39º, índice de 33,04.
A diferença entre os índices é significativa.
Mas novamente, posição no ranking não deve ser interpretada isoladamente como um selo de qualidade ou de falta dela.
É necessário observar o tamanho da base de clientes, a natureza das reclamações e o contexto de cada administradora.
Quais foram os principais problemas apontados?
O Banco Central também disponibiliza informações sobre as irregularidades identificadas nas reclamações.
Entre os motivos registrados no levantamento de administradoras de consórcios aparecem:
- Liberação de crédito;
- Descumprimento de obrigações contratuais;
- Descumprimento de prazo relacionado ao consórcio;
- Esclarecimentos inconclusivos;
- Contemplação;
- Devoluções;
- Resposta intempestiva da ouvidoria;
- Remessa ou divulgação de demonstrativos.
Esses dados são particularmente relevantes porque mostram que os problemas não estão concentrados em uma única etapa da jornada do consumidor.
Eles podem aparecer desde a relação contratual até questões envolvendo contemplação, liberação do crédito e devolução de valores.
O que significa uma reclamação “procedente”?
Aqui existe outra diferença importante.
O Banco Central não coloca no ranking simplesmente qualquer pessoa que tenha feito uma reclamação.
Segundo a metodologia da instituição, uma reclamação regulada procedente é aquela em que foi identificado indício de descumprimento, pela instituição, de lei ou regulamentação cuja supervisão compete ao Banco Central.
Isso torna o indicador diferente de uma simples avaliação de satisfação do consumidor.
Também existem categorias de reclamações reguladas consideradas “outras”, reclamações não reguladas e o total de reclamações.
Por isso, olhar apenas para o número total pode levar a uma interpretação equivocada.
Ranking do Banco Central não é lista das “piores administradoras”
Essa ressalva precisa estar muito clara.
O ranking é uma ferramenta de transparência e acompanhamento, mas não deve ser tratado como uma sentença definitiva sobre uma empresa.
Uma administradora pode apresentar índice elevado por ter uma base relativamente pequena de consorciados.
Da mesma forma, uma empresa com uma enorme carteira pode registrar centenas de reclamações e apresentar um índice proporcional menor.
O próprio Banco Central apresenta o ranking dessa maneira, utilizando a relação entre reclamações procedentes e quantidade de consorciados.
O ranking é um sinal de atenção. Não é o único critério de escolha.
Como escolher uma administradora de consórcio com mais segurança?
Antes de entrar em um grupo, o consumidor deveria fazer uma análise muito mais ampla.
1. Verifique se a administradora é autorizada
A primeira etapa é verificar a situação da empresa perante o Banco Central.
2. Consulte o histórico de reclamações
O ranking pode ajudar a identificar sinais que merecem investigação.
3. Leia o contrato
Taxa de administração, fundo de reserva, seguros, reajustes, regras de contemplação e condições de transferência precisam estar claros.
4. Não acredite em promessa de contemplação garantida
No consórcio, a contemplação ocorre conforme as regras do grupo, normalmente por sorteio ou lance.
Pagar antecipadamente parcelas não significa garantir contemplação.
5. Analise o custo total
A parcela mensal não conta toda a história.
É preciso observar todos os custos previstos no contrato.
6. Pesquise antes de comprar uma cota contemplada
Se a intenção for adquirir uma cota já contemplada, confirme diretamente com a administradora a situação da cota e as condições para transferência.
7. Compare alternativas
Consórcio pode ser interessante para planejamento, mas não necessariamente será a melhor solução para quem precisa do crédito imediatamente.
E quem já tem uma cota? O ranking também importa
Sim.
O levantamento do Banco Central não serve apenas para quem está pensando em contratar um consórcio.
Quem já possui uma cota pode utilizar as informações como mais um elemento para acompanhar a relação com a administradora.
Isso é especialmente importante em situações envolvendo:
- transferência de cota;
- venda de consórcio;
- cota contemplada;
- cota não contemplada;
- parcelas em atraso;
- cancelamento;
- liberação de crédito;
- devolução de valores.
Em uma operação de compra ou venda de cota, por exemplo, não basta olhar apenas para o valor do crédito.
É preciso conhecer o saldo devedor, as condições contratuais e as regras da administradora.
O que o ranking revela sobre o mercado de consórcios em 2026?
O dado mais importante talvez esteja justamente fora do ranking.
O Banco Central publica o levantamento de administradoras de consórcios semestralmente, enquanto o ranking de bancos, financeiras e instituições de pagamento é divulgado trimestralmente.
Isso significa que o consumidor tem uma fotografia periódica da relação entre reclamações e tamanho da base de clientes.
Em um mercado que continua crescendo, esse tipo de transparência ganha ainda mais importância.
A escolha de um consórcio não deveria começar pela pergunta:
“Qual é a menor parcela?”
Deveria começar por:
“Quem vai administrar meu dinheiro e meu grupo durante os próximos anos?”
Essa é uma pergunta muito mais poderosa.
Consórcio continua sendo uma questão de planejamento
O crescimento do mercado mostra que o consórcio continua relevante para brasileiros que buscam adquirir imóveis, veículos, máquinas e outros bens.
Mas crescimento de mercado não elimina a necessidade de cuidado.
Ao contrário.
Quanto maior o mercado, maior a importância de o consumidor comparar administradoras, entender contratos e pesquisar o histórico das instituições.
O ranking do Banco Central é mais uma ferramenta para fazer isso.
Não escolha uma administradora apenas porque alguém prometeu contemplação rápida. Escolha depois de pesquisar.
Conclusão: Antes de escolher a parcela, escolha quem vai administrar sua cota
O ranking do Banco Central trouxe um alerta importante para o mercado de consórcios em 2026.
Algumas administradoras apresentaram índices de reclamações muito superiores aos de outras instituições quando considerado o número de consorciados.
A Evoy liderou o ranking do primeiro semestre, seguida por EuTbem, Reserva, Promove e Alpha.
Mas a leitura correta não é simplesmente apontar quem está “bem” ou “mal”.
É entender o que os números representam.
Uma boa decisão exige cruzar o ranking com outros fatores: autorização do Banco Central, contrato, custos, regras de contemplação, atendimento, histórico e, principalmente, o objetivo financeiro de quem está contratando.
Porque consórcio pode ser uma excelente ferramenta de planejamento.
Mas planejamento começa antes da assinatura.
Começa na pesquisa.
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